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20080721








ensaio
EIN PROSIT, DIONÍSIO!
aspectos míticos da Oktoberfest em Blumenau/SC


crônica
CONTISTA DA LOUCURA NA RUA DOS LAMPIÕES APAGADOS
não é vida e obra do sertanejo Brenno Accioly


artigo de opinião
STATUS LIBERTATIS
a estupidez da ideologia do penitenciarismo
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poesia
ACABOU-SE O QUE ERA DOCE
microbiografia de vertebrados e invertebrados
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gênero dramático
BURROCRACIA ESTATAL
peça sintética no método Teatro-feijão-com-arroz
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CONTISTA DA LOUCURA NA RUA DOS LAMPIÕES APAGADOS

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Tornara-se um dos contistas mais expressivos da Língua pátria Brenno Accioly, de Santana do Ipanema-AL. Levado pelas mãos do jovem sertanejo, Clodolfo Rodrigues Melo, à redação do Jornal do Commercio, em Recife, por volta de 1940. Naquela época, publicara seu primeiro conto. Todos em Santana conhecem Dr. Clodolfo. No milênio passado, Clodolfo chegara ao Estado pernambucano em um trem, de Maceió, para fazer o pré-médico (espécie de pré-vestibular em Medicina). Viajaram Brenno e Clodolfo.
Ficaram em uma pensão. Saíam à noite. Conheciam mulheres da Veneza Brasileira.
Caminhavam por pontes onde andaram os poetas Castro Alves, Rui Barbosa, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos: Recife. Ponte Buarque de Macedo/Eu, indo em direção à casa do Agra,/Assombrado com a minha sombra magra,/Pensava no Destino, e tinha medo!//Na austera abóbada alta o fósforo alvo/Das estrelas luzia... O calçamento/Sáxeo, de asfalto rijo, atro e vidrento/Copiava a polidez de um crânio calvo. Lembro-me bem. A ponte era comprida,/E a minha sombra enorme enchia a ponte,/Como uma pele de rinoceronte/Estendida por toda a minha vida!.........................................................................................................................................................................................................................etc. (in As Cismas do Destino). O redator chefe do Jornal do Commercio era um alagoano, Esmaragdo Marroquim – caso a memória não de furto me seja perfídia.
Em Santana do Ipanema, no comércio do pai, Clodolfo rascunhava um papel quando fora surpreendido com a visita de um amigo da família. Inquirido a respeito do que escrevia, despertara ao visitante do Sertão alagoano o interesse em indicar Clodolfo ao emprego de revisor do Jornal do Commercio. Clodolfo chegara ao Recife com uma carta de apresentação. Estava empregado. Brenno a insistir com a publicação de seus contos na imprensa, atendera-lho amigo Clodolfo. Afinal, o escritor sem ser lido fada-se ao anonimato eterno. Brenno disto estava crente.
Lêdo Ivo, contemporâneo de Brenno Accioly. Tanto um quanto o outro, com avidez, popularizaram literatura das Alagoas. Na capital da república, Rio de Janeiro, lançaram-se em 1943. Os teóricos em literatura encontraram em Brenno Accioly algo inédito. Brenno escrevia sobre personagens comuns em cidades pequenas com um quê de originalidade. Os loucos. Contista da loucura, pois no mundo literário do autor estão Agissé, Pony... O escritor, de aguda perspicácia, médico de profissão e funcionário público, referia-se ao antigo revestindo-o em nova roupagem. A vida boêmia dos funcionários públicos, lega-lhos sobejo de tempo nos prazeres da Literatura.
Certa noite recifense, Brenno e Clodolfo andavam nas ruas. Disse-me o médico, ainda no outro milênio: “Marcello, Brenno olhou uma rua escura e comentou acerca da matéria-prima para mais um de seus contos: Rua dos Lampiões Apagados”. Clodolfo riu, então, sua feliz gargalhada característica.
Parou. Estava no passado. Os dois amigos de juventude santanense acabavam de sair da casa de umas amigas.
Anchos.
Tarde da madrugada. Hora na qual os lampiões de iluminarem as ruas e as idéias estão frios.